quarta-feira, 3 de setembro de 2008

12 REGRAS QUE PODEM MUDAR O RUMO DA SUA ESCOLA


12 regras que podem mudar o rumo da sua escola

Maurício Góis

Você já deve ter visto o comercial cujo texto é: “Sabe quando é que eu vou ter um carro assim? Só no dia de São Nunca”. Ao término da fala, o tal São Nunca cai do céu e diz: “Agora você pode realizar seu sonho”.

Pois é, talvez você já tenha olhado para os grandes dirigentes de escola e dito: “Sabe quando eu vou ser assim? Sabe quando vou cumprir essas metas? Só no dia de São Nunca”. Mas eu digo que isso é possível. Basta você seguir doze regras comportamentais básicas.

Para ter mais sucesso como educador, é preciso parar. Pare para refletir como é seu comportamento. Pare para repensar seu destino. Pare agora, apenas pare e pense que as dificuldades são 80% comportamentais e 20% técnicas, estratégicas e táticas.

1 PARE DE DIZER QUE A COISA ESTÁ FEIA NA SUA ESCOLA.
Não existe coisa feia ou bonita, mas, sim, maneira de olhar. Enquanto você vê a coisa feia, os que vão prosperar como empreendedores educacionais enxergam oportunidades para ganhar mais.

2 PARE DE PENSAR QUE OS PAIS DE ALUNOS QUE JÁ ACREDITAM NA ESCOLA ACREDITARÃO SEMPRE.
Sim, eles acreditarão até o momento em que passarem a acreditar em outra instituição. Lembre-se de que o cliente “compra” primeiro sua escola e, depois, o que vem junto, ou seja, professores, didática, localização, projetos educacionais, etc. Entretanto, aquele pai de aluno com quem você manteve contato há três meses não é mais o mesmo. As células do interesse dele mudaram. Então, “venda” sua escola de novo. E sempre.

3 PARE DE FALAR QUE A EDUCAÇÃO NO BRASIL ESTÁ MAL POR CAUSA DO GOVERNO.
Não espere o presidente da República receber o Oscar pelo filme Esperanças Perdidas para aperfeiçoar os resultados de sua escola. O poder não está em nenhum governo, e sim nos pais de alunos. Seduza-os.

4 PARE DE SER IMPROVISADOR COMO EDUCADOR.
Improvisadora é a pessoa que tem pernas excelentes, não enxerga nenhum caminho e acha que o importante é correr.

5 PARE DE FALAR MAL DE OUTRAS ESCOLAS OU DE PENSAR QUE OUTRAS FAZEM MELHOR DO QUE VOCÊ.
Pense: outras escolas são boas, porém a minha tem mais vantagens competitivas, características diferenciais, benefícios na didática, etc. Contudo, se você acha mesmo que elas são melhores, então, vá trabalhar nelas.

6 PARE DE ACHAR QUE O CLIENTE É UM CHATO.
O quê? Quem paga a conta é chato? Pensar que ser um vencedor na gestão de uma escola é apenas ter uma boa metodologia educacional ou ter apenas bons professores é como acreditar que você vai ganhar uma corrida de Fórmula 1 só porque a pista é bonita.

7 PARE DE PENSAR QUE CURSO SUPERIOR É TERCEIRO GRAU.
Para ser educador contínuo, eduque-se continuamente. Estudo não tem mais meio e fim. Só tem início. Ninguém se diploma mais quando o assunto é educar-se para educar.

8 PARE DE NÃO APRESENTAR TESTEMUNHAS, EVIDÊNCIAS E PROVAS QUANDO FALAR DOS BENEFÍCIOS DE SUA ESCOLA.
O que você diz para convencer que sua escola é boa é 10%. O que você comprova é 90%.

9 PARE DE DEIXAR DE MANDAR BILHETES PARA SEUS FUNCIONÁRIOS ELOGIANDO MÉRITOS REAIS.
Tem gestor que acredita que elogiar é coisa do passado!

10 PARE DE CONQUISTAR NOVOS ALUNOS SE ESQUECENDO DOS VELHOS.


Os pais dos alunos antigos são clientes, os dos novos são expectativas e despesas.

11 PARE DE ACHAR QUE PREGUIÇA SE MATA PENSANDO NELA.
Preguiça, na gestão educacional, se mata agindo taticamente. Assista ao filme Sob o Sol de Toscana. A cidade não tinha trem, mesmo assim os habitantes construíram uma ferrovia. Quando foram chamados de burros, responderam: “Se a gente construir a ferrovia, o trem aparece”. Assim é a vida. Construa sua ferrovia de ação que o seu trem do sucesso escolar aparece.

12 PARE DE CERCAR-SE DE GENTE PESSIMISTA.
Decida ser otimista até mesmo por falta de opção. Pessoas otimistas empurrarão você para o alto-astral que mantém sua escola acesa. Trabalhe com elas.

Agora que você fez doze paradas, continue. Mas, desta vez, para vencer mais e melhor.



sexta-feira, 29 de agosto de 2008

ATITUDES DE MUDANÇA PESSOAL

Atitudes de mudança pessoal
José Manuel MoranTrecho do livro "Mudanças na comunicação pessoal", 2ª ed, Paulinas, 2000, p.184-186
Duas atitudes básicas expressam que estamos mudando significativamente:
Viver em permanente processo de aprendizagem, de antenas ligadas, atentos ao que acontece, curiosos, relacionando cada informação isolada a um contexto maior, onde ela cobre um novo sentido.
Conseguir uma boa integração pessoal em todos os níveis da vida, integração que se expressa em um estado predominante de paz, de entusiasmo pela vida e pelo trabalho, em um bom gerenciamento das nossas idéias, emoções e atividades.
Mudar dentro das nossas possibilidades atuais
É importante agir no nosso ritmo, no ritmo que nos é possível neste momento. Procuraremos estar atentos para aumentá-lo, para decidir, para agir, sem forçar as decisões, aceitando as idas e voltas, as hesitações que aparecem, tentando enfrentá-las e superá-las uma a uma.
Vale a pena começar sempre pelo mais próximo, pelo mais fácil, pelo possível. As práticas na direção libertadora irão facilitando as etapas posteriores. Não vamos pensar em quão comprido vai ser o caminho. Podemos começar a a andar “step by step”, passo a passo, até onde hoje nos seja possível.
É importante buscar pontos de apoio. Procurar grupos que estejam em processos afins. Buscar pessoas em que possamos confiar, que não nos julguem negativamente, que não nos invejem. Podemos também interagir com profissionais da comunicação e da saúde, profissionais que nos ajudem a perceber-nos melhor, a desvendar nossos processos mentais e emocionais. Cada um de nós tem suas crenças, suas formas de expressar sua religiosidade. Se elas nos ajudam, se nos ajudam a perceber mais, a ter mais paz, a comunicar-nos mais com os outros podem ser-nos muitos úteis.
O nosso foco não pode permanecer só no individual, mas estar também direcionado ao comunitário, aos grupos importantes em que participamos. Quanto mais possamos inserir-nos em espaços de ação comunitária, mais cresceremos, aprenderemos, viveremos. Dentro desta perspectiva de integração pessoal e comunitária, encontraremos nas tecnologias parcerias permanentes e criativas para expandir permanentemente nossas inúmeras possibilidades de informação, de comunicação e de ação.
Tomar decisões é fundamental para evoluir, para mudar. Decidir nos assusta. Todas as escolhas implicam em riscos, ganhos e perdas. Nada nos garante que não cometeremos outros erros, que iremos acertar sempre. É importante fortalecer nossa autoestima, continuar dando-nos valor, apoio, incentivo. Se estamos num processo honesto de mudança, encontraremos o melhor momento e a melhor forma de decidir e de agir.
Decidiremos mudar, ao estar convencidos de que uma das opções é melhor que as outras e procuraremos fortalecer-nos nessa decisão, levando-a adiante, se não houver graves sinalizações em contrário no caminho. Quem não decide, não percebe o valor da nova escolha, porque fica de olho também no que vai perder e se apega a roteiros já conhecidos. Alguns querem mudar, sabem que têm que mudar, mas não sabem o que pôr no lugar. Sentem-se tão machucados com perdas passadas, que permanecem paralisados com o receio apavorante de acumular mais uma derrota.
Cada um precisa de tempos diferentes para decidir, para perceber claramente. É um processo que não se deve apressar ou forçar de fora, mesmo que pareça evidente a solução. Podemos informá-lo, dar-lhe nossos parâmetros, nosso apoio, mas não induzi-lo a decidir. Ele saberá quando é o momento dele. E se não souber, continuaremos apoiando-o, até onde nos for possível e ele precisar.
“Non é mai troppo tardi” - Ainda não é muito tarde - era o título de um programa de educação de adultos da RAI, televisão italiana, anos atrás. Ainda não é tarde para aprender a viver, a integrar todas as dimensões da nossa vida: as pessoais, as sociais e as tecnológicas. Vamos estar atentos ao bom gerenciamento das nossas pessoas: do emocional e intelectual, do passado e do presente. Integrar também a nossa inserção mais participativa, engajada em grupos e comunidades. Integrar também todas as tecnologias como potencializadoras da nossa ação pessoal e comunitária. Ampliar a nossa comunicação em quantidade e qualidade, caminhando na direção de maior confiança, abertura, compreensão e autenticidade. Vamos aprender a expandir os nossos círculos de interação, a ampliar nossas redes de comunicação, a torná-las mais participativas, de maior qualidade. Vale a pena ampliar a nossa ação comunicativa pessoal, interpessoal e comunitária: a nossa vida e a de muitas pessoas se transformarão de forma contínua e extremamente enriquecedora.

sábado, 23 de agosto de 2008

FAZER AS MUDANÇAS POSSÍVEIS



Fazer as mudanças possíveis

José Manuel Moran

Professor de Comunicação, Educação e Tecnologias *

Algumas perdas profissionais ou emocionais podem ser significativas e gerar uma nova consciência, postura e atitude. O sofrimento pode ser um degrau para a mudança, dependendo da forma de encará-lo.

A percepção de uma nova situação mais realizadora pode ser um estímulo para a mudança, assim como o exemplo de alguém. A decisão de outras pessoas envolvidas pode facilitar a nossa. Se alguém próximo se separa ou falece, temos que mudar. Podemos mudar também quando percebemos a possibilidade de perder a pessoa amada.

É freqüente a idéia de que mudar implica deixar tudo o que fazemos e dar uma guinada radical: deixar a cidade, o emprego, a família. Em muitas situações pessoais, não é necessário deslocar-nos fisicamente, mas aprender a deslocar o nosso foco, o nosso olhar. Enxergar com afeto, com atenção, com paciência nosso interior e os elos que criamos.

Podemos mudar muito sem sair do lugar e “sassaricar” de cá para lá e mudar só na aparência. O importante não é a quilometragem percorrida, mas a qualidade da percepção, afeto e ação que desenvolvemos. Se percebemos mais, amamos mais e agimos com mais coerência, mudaremos profundamente por dentro.

Ao mudar por dentro, ao desenvolver um novo olhar e uma prática mais aberta, tomaremos decisões que poderão levar-nos também a mudanças físicas, de lugar, de trabalho, de parcerias. Ou também podemos rever a forma de nossos relacionamentos e torná-los verdadeiramente comunicativos.

Os seres humanos são complexos, com muitas nuances e contradições. Pessoas que têm iniciativa profissional e são empreendedores podem ser dependentes de uma relação afetiva ou se tornar escravos de uma paixão ou mania. Todos têm dificuldades e facilidades. Em alguns campos, somos bons; em outros nos complicamos.

É possível mudar? Vale a pena mudar? Vale a pena se for com coragem, constância, coerência e humildade. Algumas decisões são mais fáceis ou viáveis. Outras representam o esforço de toda a nossa vida. É importante focar em primeiro lugar o que fazemos bem e com maestria, além de nossas qualidades. Isso facilita as mudanças possíveis. E depois olhar para nossas pedras no sapato – nossos defeitos e problemas – e tentar diminuí-los, trabalhá-los, acompanhá-los com atenção.

Nenhuma mudança é duradoura se não estivermos intimamente convencidos ou não a quisermos profundamente . Quando mudamos por causas externas (por pressões pessoais ou profissionais), voltamos atrás na primeira chance que encontramos.

A educação nos ajuda a clarear horizontes, definir escolhas, vivenciar situações e encontrar apoio nas experiências de outros. Mas a mudança só acontece quando, por dentro, estamos prontos, quando estamos querendo de verdade, quando alguma situação se tornou tão insuportável que lhe damos um basta profundo e radical, o que nos impulsa para outros caminhos. Apesar disso, precisamos ficar atentos para que os velhos hábitos, as velhas crenças e medos não se apoderem de nós, passado o primeiro impulso da mudança.

É importante reconhecer nossas qualidades, valorizá-las, destacá-las e buscar formas de colocá-las em prática, escolhendo situações em que elas sejam mais testadas e necessárias. Ficar atentos ao que acontece e ir antecipando-nos, prevendo, testando, avaliando. Somos chamados a realizar grandes vôos. Podemos ir muito além de onde estamos, de onde imaginamos e de onde os outros nos percebem.

Podemos modificar nossa percepção aprendendo a aceitar-nos e a gostar plenamente de nós mesmos, como somos, sem comparações nem desvalorizações, quando ninguém nos vê, quando não temos que representar, e ir adiante, no nosso ritmo, acreditando no nosso potencial.

A vida é repetição e mudança. Em alguns campos, avançamos mais rápido, em outros nos arrastamos “ziguezagueando”, a passo de lesma. O importante é querer sempre aprender e tentar mudar tudo o que nos for possível, sem exigir-nos o que nos sobrecarrega demais. Vale a pena aprender a encontrar o nosso próprio ritmo de mudança e implementá-lo com humildade e confiança.

Contradições nas mudanças pessoais

São válidos os livros de auto-ajuda. A idéia de que podemos tudo e de que tudo depende de nós, da nossa atitude, é extremamente sedutora. Mas, infelizmente, simplista. Vale como estimuladora de atitudes pró-ativas, de impulsionar-nos para a mudança. Mas não podemos tudo.

Há limites objetivos em muitos campos: uns têm umas qualidades, outros têm outras. Nossa história acumula experiências, crenças, procedimentos que podem, em parte, ser modificados, mas, como roteiros internalizados, são sempre os primeiros a ser mobilizados diante de cada nova situação. Tendemos a repetir processos, escolhas e procedimentos, na maior parte das vezes. Somente quando estamos preparados para um salto de qualidade na aprendizagem com a experiência, com a vida, podemos afastar-nos, ao menos parcialmente, das escolhas prévias.

É possível mudar, mas não é tão fácil para a maioria . Há muitas mudanças que são somente aparentes: separar-se de alguém é uma mudança, mas pode ser mais aparente do que real se levar a novas escolhas próximas das anteriores ou se repetir na seqüência padrões familiares. Algumas pessoas aprendem e mudam, outras parece que aprendem e repetem modelos.

Percebe-se a complexidade da mudança nas atitudes das pessoas diante da decisão de deixar de fumar. Algumas tentam largam o vício, vão e voltam, mas não conseguem efetivamente abandoná-lo. Outros não conseguem deixá-lo até que são confrontados com uma situação radical: um câncer de pulmão, a perspectiva de morte; ou quando alguém querido lhe dá um ultimatum : “ou o cigarro ou eu”. Se o valor vida ou a relação afetiva são muito fortes, é possível levar à mudança. Até mesmo esses impasses não levam necessariamente alguns a deixar o vício. Uns mudam para sempre, deixam o patamar anterior e agem de forma diferente, enquanto outros mudam temporariamente e, diante de outras circunstâncias, voltam a situações passadas.

Há algumas ilusões no processo de mudança : pensar que mudando de ambiente, nossa vida mudará automaticamente. É comum ouvir: “quero morar em tal cidade, país, na praia” e achar que isso é determinante para estar bem. Sem dúvida, há um componente no ambiente escolhido que pode contribuir para acalmar ou facilitar algumas situações, mas somente o ambiente não nos muda, porque nós sempre vamos com nossa casa às costas: nossos valores, crenças, percepções e formas de escolher e avaliar, com uma determinada relação entre pensamento e ação.



* Trecho do livro Desafios na Comunicação Pessoal. São Paulo: Paulinas, 2007. p.88-89 e 96-99.

domingo, 17 de agosto de 2008

AS MUDANÇAS PERTO DE NÓS



As mudanças perto de nós

José Manuel Moran

Professor de Comunicação, Educação e Tecnologias *

Mudam as pessoas, os bairros, as relações homem-mulher, as famílias, as formas de trabalho, as empresas, as tecnologias de comunicação e as formas de divertir-se e estudar. Tudo está girando numa velocidade vertiginosa na cidade grande. O trânsito não pára. As pessoas se agitam num incessante vai-e-vem. Parecem sempre atrasadas e muito ocupadas, ao menos consigo mesmas. Em casa, dezenas de canais de televisão disputam nossa atenção dia e noite. Andamos com freqüência preocupados, cansados. Não sobra tempo para nada. E o ritmo vai acelerando-se.

Há mudanças drásticas no mundo do trabalho. As empresas estão substituindo todas as tarefas de rotina, previsíveis, por soluções tecnológicas, programas ou equipamentos. Procuram pessoas mais preparadas e criativas, que saibam resolver problemas, que trabalhem bem tanto individualmente como em grupo e que sejam extremamente eficientes. Mais pessoas começam a trabalhar em casa, conectadas com outros departamentos e pessoas, prestando serviços à mesma ou a mais de uma empresa, participando interativamente de projetos com gente que tanto pode estar perto como longe. Aumenta o número de empreendedores, autônomos e pequenas organizações, em todos os setores.

Participamos de mudanças profundas nas relações interpessoais. Mudam os papéis do homem, da mulher e o conceito de família: sua duração, configuração e amplitude. A mulher vem ocupando novos espaços no trabalho, no lazer, na política e nas relações afetivas. Aumenta o número de homens e mulheres que moram sozinhos.

Novos problemas são colocados, inimagináveis poucas décadas atrás: a possibilidade real de “clonar” pessoas (criar duplos de nós mesmos – assim como já o fizeram com animais), de poder escolher o sexo dos filhos e de interferir em todas as fases da vida, da gestação até a morte. Alguns hospitais utilizam na UTI um programa de computação que orienta a decisão de quando não vale mais a pena manter vivo um paciente.

A humanidade sempre aprendeu a conviver com inovações, mas atualmente a sucessão delas é alucinante e a quantidade de implicações, freqüentemente desconhecida. A sociedade está mudando em todos os países, em todas as instituições e em todos os campos. O trabalho adquire uma dimensão central também na vida das mulheres. E a maioria considera que o sucesso depende do próprio esforço, de preparar-se melhor, trabalhar bastante e competir para chegar aos melhores cargos.

A sociedade cada vez mais nos pressiona para estarmos permanentemente atualizados. Não podemos parar de estudar, de informar-nos. Isso implica ficarmos abertos às mudanças que se fizerem necessárias. A sociedade urbana vem mudando rapidamente valores, concepções de vida, formas de entender, sentir e comunicar-se. Os modelos de família se modificam, as pessoas preferem buscar a sua própria realização a submeterem-se a normas tradicionais; o tamanho das famílias diminui. Muitos casais se separam, e os filhos vivem em núcleos familiares que se modificam, convivem com novos adultos e crianças em casa. Homens e mulheres trabalham cada vez mais e só conseguem dar atenção direta aos filhos em horários específicos: à noite e nos fins de semana.

A sociedade do conhecimento nos abre um vasto campo de oportunidades de mudança, mas também de problemas e dificuldades. A sociedade nos educa. Ela é um complexo espaço de expressão de contradições, tendências que vão nos mostrando diferentes e contraditórias formas de pensar, sentir e agir.

Na sociedade atual, os meios de comunicação favorecem algumas profissões ou grupos: esportistas privilegiados, modelos, artistas de TV e cinema. Focam mais pessoas jovens, bonitas e bem-sucedidas. Há um claro deslumbramento com os bem-sucedidos em decorrência do dinheiro, do poder, do empreendedorismo, da beleza. Há uma motivação econômica no destaque de modelos jovens (vender produtos), mas com conseqüências que podem ser complicadoras: é difícil manter o corpo perfeito e sempre ser reconhecido como os famosos são.

Para muitos, aparecer, ser visto, é mais importante que ser; o que conta é como os outros os vêem, não o que são de fato. A mídia não dá importância ao cidadão trabalhador, ao pai de família, ao estudante, mas valoriza o excêntrico, o extravagante, o que sai da norma ou o que tem algum poder ou glamour.

Ao contrário da televisão, do cinema e das revistas, a internet permite que muitos apareçam, se mostrem e tenham sua página ou blog, em que contam seu dia-a-dia. O número de diários virtuais em blogs comprova claramente o atual crescimento do narcisismo das pessoas, principalmente dos jovens, que exibem cada vez mais fotos, vídeos e histórias da sua intimidade e participam de rankings de popularidade (blogs mais acessados, mais populares).

Um estudo feito por psicólogos com dezesseis mil estudantes norte-americanos, em 2006, chegou à conclusão de que os jovens da faixa etária de vinte anos que passam horas em portais como Youtube, MySpace e Facebook são muito mais narcisistas do que os da geração anterior. A geração atual seria menos capaz de criar vínculos emotivos e mais inclinada a perder o controle, além de ser mais vulnerável a se sentir excluída e insultada.

Por outro lado, crianças e jovens que se conectam mais, conversam mais e aprendem mais em rede são mais inteligentes e ágeis. Mais acesso à informação e a redes de comunicação não significa, contudo, necessariamente, maior amadurecimento emocional.

Apesar dos avanços fantásticos da ciência e da tecnologia, o desenvolvimento humano é bem mais lento e desigual. Há avanços contraditórios em todos os campos: na educação familiar e nas relações afetivas e profissionais. As relações entre as pessoas, com inegáveis progressos nos costumes, continuam carregadas de problemas, de jogos, de aparências, de interesses. Pais e filhos, mesmo com tanta informação, enfrentam dificuldades sérias para o entendimento, para um relacionamento produtivo. Existem diferenças de posturas: das permissivas, cheias de compensações e culpa, até as autoritárias, dominadas por imposições e falta de compreensão.

Há avanços reais quanto ao respeito entre as pessoas, à aceitação da diversidade de opções pessoais e sexuais, inclusive entre homens e mulheres. As mulheres ocupam mais espaços em todos os campos: profissionais, educacionais e institucionais. Ao mesmo tempo, há um grande descompasso entre a quantidade de encontros, trocas, relacionamentos presenciais e virtuais e o seu significado real. Com tantas possibilidades, redes, é difícil compreender a solidão e a crescente desconfiança das pessoas. A depressão aumenta, e a aparente comunicação também.

Configura-se uma contradição profunda entre as oportunidades de lazer, de viagens e de curtir a vida e a quantidade de pessoas sozinhas, deprimidas e com problemas. Há muito agito e muita solidão; muita efervescência em festas, bares, clubes e aumento de diversas formas de dependência e de drogas. E isso não acontece só no terceiro mundo. A insatisfação profunda é universal, é do ser humano. Sente-se perdido entre seus desejos e realizações, entre as cobranças e seus sonhos, entre a rotina e as fantasias, entre o que tem e o que poderia ter, entre suas escolhas e as várias não realizadas.

Existe uma tensão permanente e insolúvel entre a realidade vivida e a imaginada e desejada; entre o cotidiano – com sua carga repetitiva, pesada, monótona – e os sonhos mais profundos. O ser humano é sempre um insatisfeito; quanto mais tem, mais deseja; quanto mais avança, mais quer. Quer ser sempre jovem e feliz em todos os campos, mas a vida lhe vai mostrando as contínuas limitações: à medida que envelhece, torna-se menos bonito e forte; o sonho do amor perfeito se desfaz em vários relacionamentos, sempre imperfeitos e com perdas. Tem mais gadgets – internet banda larga, TV de 42 polegadas, celular multifuncional. Compra mais, satisfaz-se menos. Viaja muito e sempre volta ao mesmo lugar. Agita-se sempre e a insatisfação aumenta.

As gerações atuais são as que têm mais possibilidades de realizar o que desejam ou precisam em qualquer campo: informativo, educacional, profissional, de lazer, serviços, bens, tecnologias. São, em geral, mais consumistas, perdulárias e materialistas. Há, por outro lado, setores mais responsáveis socialmente, engajados, que valorizam mais o ser do que o ter; mais a qualidade de vida do que o acúmulo de riquezas. Mas são ainda minorias.

* Trecho do livro Desafios na Comunicação Pessoal. São Paulo: Paulinas, 2007. p.10-15.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

MUDANÇAS CONTRADITÓRIAS NA COMUNICAÇÃO ATUAL



Mudanças contraditórias na comunicação atual

José Manuel Moran

Professor de Comunicação, Educação e Tecnologias*

Em decorrência das transformações drásticas em todos os campos – do pessoal ao social –, os serviços, o trabalho, o lazer e a educação se modificaram profundamente. Dessa forma, a tendência é a de uma aceleração ainda maior nos próximos anos.

Estamos caminhando rapidamente para uma sociedade muito diferente que, em parte, vislumbramos, mas ainda nos reserva várias surpresas. Será uma sociedade conectada, com possibilidades de comunicação, interação e aprendizagem inimagináveis hoje, embora com imperfeições e contradições. Ou uma sociedade de maior participação direta, que decidirá as principais questões sem tantos intermediários (com mais debates, consultas e referendos on-line).

A aprendizagem será a essência da nova sociedade: aprender a conhecer, sentir, comunicar-se e equilibrar o individual e o social. A informação estará disponível, e as formas de aprender e de organizar o ensino serão muito variadas.

As cidades se conectam, transformando-se progressivamente em cidades digitais; os serviços, o lazer e a aprendizagem se virtualizam. Pesquisar qualquer assunto em grandes portais de busca ou base de dados será banal. A maior parte das pessoas estará conectada nos próximos anos às redes digitais por celulares, computadores portáteis e TVs digitais interativas, com utilização muito divergente e contraditória, mas as possibilidades de interação serão sempre crescentes.

Os processos de comunicação implantados serão profundamente diferentes dos atuais. Estaremos permanentemente interconectados através de imagem e som e poderemos interagir quando o acharmos conveniente. Mas as tecnologias evoluem muito mais rapidamente do que a sociedade e sua cultura.

A cultura implica padrões, repetição, consolidação. A cultura comunicacional e educacional, também. As tecnologias permitem mudanças profundas já, hoje, que praticamente permanecem inexploradas pela inércia da cultura tradicional, pelo medo, pelos valores consolidados. Por isso sempre haverá um distanciamento entre as possibilidades e a realidade.

O brasileiro é um povo, em geral, acolhedor e aberto. Ao mesmo tempo, pela mentalidade dos que querem levar vantagem e da falta de punição real para os poderosos, aumenta a desconfiança de tudo e de todos, o que esgarça as relações sociais. O individualismo prevalece sobre o sentimento de solidariedade. Pesquisas mostram que o brasileiro é um dos povos mais desconfiados do mundo, que menos acredita nas saídas sociais, institucionais, embora seja generoso em momentos de crises e diante de grandes tragédias.

Os países se agrupam em blocos comerciais e políticos e, ao mesmo tempo, continuam as guerras, o terrorismo e a destruição ecológica do planeta. Aos avanços da ciência se contrapõem a ganância da indústria dos remédios, da beleza, das drogas, da venda de armas, da exploração infantil.

O ser humano avança com várias contradições, bem mais devagar que os costumes, hábitos e valores. Intelectualmente também avançamos muito mais do que na prática. Há sempre um distanciamento grande entre o desejo e a ação, entre a vontade de mudar e as decisões concretas. Nunca tivemos tantos bens para consumir, gratificar-nos, entreter-nos e aprender, nem tantas tecnologias para comunicar-nos, viajar virtualmente e informar-nos.

Ao mesmo tempo, continuamos a ser uma sociedade dividida, desigual, com uma minoria tendo acesso fácil a todos os bens, enquanto uma parte significativa da população se esforça muito para garantir um nível mínimo de sobrevivênciam, sem citar o um número elevadíssimo de marginalizados (excluídos), que mal conseguem sobreviver.

A abundância de oportunidades não é igual para todos. Os bens econômicos e culturais estão distantes de uma parcela significativa da população. Muitas pessoas ainda são dependentes de modelos de vida determinados pelos pais, pela religião e pela cultura local tradicional. Apesar de tudo, está se construindo uma outra sociedade, que, em pouco tempo, será muito diferente da que temos atualmente.

A sociedade aprenderá de múltiplas formas, em diferentes tempos e espaços, tanto os oficiais como os informais; na escola, na cidade e no mund;, com mestres e com colega;, com tecnologias simples e com tecnologias avançada;, através do contato físico ou da comunicação em rede.

Aprendemos com os grupos que nos interessam, presencial e virtualmente. Formamos comunidades de interesses que se apóiam a distância e que quebram a hegemonia dos controles e mídias tradicionais. Pierre Lévy defende que uma comunidade virtual, convenientemente organizada, representa uma importante riqueza no conhecimento distribuído e na capacidade de ação colaborativa.[1]

Existem muitas comunidades de aprendizagem, de lazer e de negócios, que abrangem todos os interesses possíveis. O espaço virtual ou ciberespaço amplia em todas as direções tudo que já conhecíamos e realizávamos, potencializado pelas possibilidades que a interação a distância em tempo real traz pela primeira vez na história. Nesse espaço, convivem vários grupos que contribuem para melhorar a sociedade em alguma área e outros que exploram todas suas mazelas e fraquezas, aumentando as tensões e contradições existentes.


--------------------------------------------------- ------------------------------

* Trecho do livro Desafios na Comunicação Pessoal. São Paulo: Paulinas, 2007. p.7-10.





quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O QUE É SER BRASILEIRO?

O que é ser brasileiro?

Written by Francisco Pontes de Miranda Ferreira

Uma leitura da obra de Darcy Ribeiro

O que significa ser brasileiro e o que é o Brasil no mundo de hoje? Somos um povo ainda na busca de um destino e uma identidade? Essas são algumas perguntas muito bem questionadas e respondidas na obra prima de Darcy Ribeiro: “O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil”, livro editado pela Companhia das Letras em 1995 em São Paulo. Trata-se da última grande obra deste importante pensador brasileiro. Um trabalho extremamente maduro e realizado com confiança e determinação. Somos um povo que teve sempre suas aspirações jamais levadas em conta em nome dos interesses da prosperidade empresarial exportadora. Um povo que teve como base uma força de trabalho afundada no atraso e na pobreza. Nossos povos tribais sofreram um enorme genocídio e os negros escravos uma das piores condições de vida já existentes. No entanto, surpreendentemente, essa massa de negros, mulatos e caboclos criou a etnia brasileira, um dos povos mais criativos do mundo. Temos ao mesmo tempo ingredientes de anarquia, bondade e indisciplina com tirania e autoritarismo. Apesar de todas as fusões de matrizes somos um dos povos mais homogêneos lingüística e culturalmente da Terra. De acordo com Darcy Ribeiro, somos uma “nova Roma. Uma Roma tardia e tropical” e nosso destino é a unificação com as nações latino-americanas.

O autor afirma que o Brasil é resultado do entrechoque do invasor português com índios silvícolas e africanos altamente massacrados e escravizados. O resultado foi a criação de um povo novo: mestiçado e sincrético. O Brasil é também, segundo Darcy, novo também pela alegria, apesar de tanto sofrimento. Mas, de velho temos o sentido de servir aos interesses econômicos externos e a reprodução da miséria, pobreza e violência. Nossa singularidade está na absorção do negro e do indígena em todos os aspectos de nosso cotidiano. Além disso, recebemos ingredientes do árabe, japonês, alemão, italianos e muitos outros. Darcy divide o Brasil em macro-regiões sócio-culturais importantes: sertanejos (predominantes no Nordeste), caboclos (predominantes na Amazônia), crioulos (predominantes no litoral), caipiras (predominantes no Sudeste e Centro-Oeste), gaúchos (predominantes no Sul) e os imigrantes europeus e japoneses que predominam no Sul e em São Paulo. O livro trabalha detalhadamente as características de cada tipo e suas formas de integração. O autor ressalta alguns elementos importantes em nossa formação como os diversos processos violentos e de repressão presentes na história do Brasil. Destaca, entretanto, que tanto os índios como os negros sempre lutaram e resistiram contra o domínio e foram fortemente reprimidos.
Leia mais...: http://www.jornalpoiesis.com/mambo/index.php?option=com_content&task=view&id=216&Itemid=45

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

EQUILIBRANDO ADAPTAÇÃO E MUDANÇA



Equilibrando adaptação e mudança


--------------------------------------------------------------------------------

José Manuel Moran

Texto complementar do livro Aprendendo a viver.

3ª ed. São Paulo. Paulinas, 2002.


Vivemos efetuando contínuas e diferentes escolhas:

Umas nos levam a adaptar-nos melhor ao ambiente, às pessoas, aos grupos, às organizações

Outras nos impulsionam a mudar, a inovar, a experimentar caminhos diferentes.

Saber adaptar-nos ocupa a maior parte do nosso tempo e é fundamental

Para conviver melhor

Ser bem aceitos, queridos

Sentir segurança pessoal, afetiva e profissional.

Saber mudar é também extremamente importante

Para fazer escolhas melhores

Para realizar-nos mais pessoal, afetiva e profissionalmente

Para encontrar nossa identidade, nosso lugar, nosso espaço diferenciado.

Há etapas em que predomina a adaptação - quando chegamos a um novo ambiente, a uma cidade, quando começamos um novo trabalho, queremos manter um relacionamento afetivo

E há outras etapas que favorecem a mudança – diante de crises, de fracassos, de insatisfações profundas, de acenos de novas oportunidades.

Equilibrar adaptação e mudança é fundamental.

A adaptação nos integra a ambientes, grupos, pessoas (buscamos padrões, modelos socialmente valorizados)

A mudança nos impulsa para novas etapas de conhecimento e realização (buscamos o novo, o diferencial)

Muitas pessoas são especialistas em adaptação - sempre estão fazendo média, agradando os demais, equilibrando-se nas dificuldades. Sabem adaptar-se, sobreviver em diferentes ambientes e situações. Realmente sobrevivem, mas crescem pouco. Como escrevem Millôr Fernandes: "quem só se adapta, vira plágio". Por outro lado, quem muda se torna original.

Há momentos em que temos que romper, ir para outro lugar, mudar de idéias, de profissão, de ambiente, de parceiro e assumir novos riscos, novos desafios.

Nesse equilíbrio entre integração e mudança é que vamos evoluindo, aprendendo. Cada um faz seu próprio percurso, segue sua receita.

É importante ver se estamos acomodados demais, se só nos adaptamos e esquecemos das mudanças possíveis, mesmo que sejam aparentemente diminutas.

De pequenas em pequenas mudanças, podemos chegar a enfrentar e superar novos desafios, pessoais, grupais e organizacionais.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

GUIA GEOGRÁFICO - BRASIL


GUIA GEOGRÁFICO – BRASIL

Com toda a sua riqueza cultural e natural, o Brasil dispensa adjetivos. É o nosso País. Muita praia. Muito verde. Muita música e criatividade. O Brasil é, também, uma nação com muitos problemas sociais a serem resolvidos.

Conheça a História e a Geografia do nosso País.

Faça uma passeio pelo Brasil acessando: http://www.brasil-turismo.com/


sábado, 9 de agosto de 2008

SER PAI

Ser Pai
Oswaldo dos Santos Araujo
Ser pai é mais do que parece...

Esta é quase que uma estréia escrevendo artigos, mas como amanhã é dia dos pais, vou começar por aqui. Tenho certeza que meus filhos vão se lembrar disso com carinho quando eles também tiverem seus filhos. E também pelo motivo da importância que o tema ganha nos dias de hoje.

Ser pai é mais do que gerar um filho, mais do que transmitir seus genes para a posteridade, antes é uma missão, a missão de ensinar seus filhos a serem melhores, e melhores que nós mesmos. Fazer um mundo melhor, mais humano, mais justo. Cada atitude é mais do que um simples falar, é uma lição de vida, de carinho e de amor.

Ser pai começa antes de gerarmos um filho, é uma vocação que nasce conosco, nas atitudes da vida inteira construimos ser pai, e o pai pode ser até quem não é pai, propriamente dito. Tem pai que é pai por criar os filhos dos outros ou cuidar de uma comunidade como um verdadeiro pai. Quem tem a vocação de pai, pode ser padre, pode não ser pai natural, mas ele será pai, alguns vão adotar filhos, outros vão orientar outros e quem não o fizer, vai negar a si mesmo. Quem tiver esta vocação e deixa-la crescer dentro de si, vai ser pai de uma maneira ou de outra.

Ser pai é um compromisso, que nasce na promessa do casamento, na promessa de educar um filho na fé. Como é bonito ver quem se deu o direito e assumiu o dever de ser pai. Compromisso que nunca mais o vai deixar, nem de dia e nem de noite, dele depende a vida de outro, um ser tão indefeso e dependente que ninguém mais pode fazer mais por ele.

Ser pai é dar muito valor à mãe dos seus filhos, não poderíamos ser pais sem as mães, a mãe é tão importante que Deus quando trouxe o seu próprio Filho, pediu a ajuda de uma mulher para poder gera-lo. É lembrar de suas dores e seu esforço durante nove meses e importante lembrar seu amor pelos filhos, seu cuidado constante sobre os filhos, que não descansa dia e noite

Ser pai é ser um exemplo, dar limites claros aos filhos, ser em tudo, mais em atitudes e gestos do que em palavras. Saber que se dizemos não para um filho é para educa-lo, para torna-lo melhor, é dizer um não com amor e quando dizemos sim mostramos o caminho a seguir. Um sim pode custar mais para nós em esforço e em sacrifício que um não.

Ser pai é ser a favor da vida, ter coragem e esperança acima do pessimismo, da cultura que nos empurra para nossas carreiras profissionais, para sermos egoístas e considerarmos filhos com um estorvo, e é ainda sobretudo deixar a vida brotar em nós. É ser absolutamente contra o aborto, que nada mais é do que o assassinato de inocentes, apesar de tanta gente que se intitula religioso, mas é contra a vida. É deixar o egoísmo e continuarmos a criação de Deus sem querermos controla-las por meio da ciência, que tem muitos e muitos métodos anticoncepcionais artificiais, alguns abortivos e que ainda promovem a falsa visão de que são infalíveis e completamente seguros e alguns que ainda prometem evitar doenças. A consequência é a morte e invalidez de mulheres pelo uso de anticoncepcionais que as vezes causam AVC's, a ainda a disseminação das DST's como a AIDS.

Ser pai é estar presente, ser presente, custe o que custar: dinheiro, esforço, tempo. Não interessa como, precisamos participar da vida dos filhos, sem isto é impossível ser pai. Estar lá quando necessário é o mais importante para os filhos, é assim que eles sabem que nós os amamos. É não deixar que nada neste mundo possa nos separar.Ser pai é melhor na família. Ser pai é melhor sendo fiel. Ser pai é melhor quando tem pai, mãe e família, harmonia, união e amor.

Ser pai é melhor com amor antes, durante e depois. Ser pai é uma graça de Deus, um presente de Deus, não tem nada igual, é a maior aventura da minha vida, o maior empreendimento, a maior responsabilidade e a maior alegria. É o que desejo aos meus melhores amigos.Aos nossos pais que nos permitiram colher onde não semeamos, nosso agradecimento, lembrança e amor. Ao meu pai, meus avôs, meu sogro meu especial obrigado, seus exemplos e histórias nos ajudaram a ser o que somos. E a eles meu maior presente seja que espelhando-me em suas histórias, experiências, acertos e equívocos, mantenho o compromisso que no fundo todo mundo quer, ser ainda melhor que eles, por incrível que pareça.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A VIDA COMO CONSTRUÇÃO


A vida como construção


--------------------------------------------------------------------------------

José Manuel Moran

Texto complementar ao meu livro Aprendendo a viver. 3ª ed. São Paulo:Paulinas, 2002


Construímos a vida sobre fundamentos autênticos ou falsos.

As construções em falso são como andaimes ou contrapesos que colocamos para segurar uma parte do prédio que ameaça vir abaixo, ruir.

Procuramos esconder – até de nós mesmos - o lado negativo, o que anos incomoda, o que não gostamos.

Quanto mais muros de contenção, duplas paredes, contrafortes criamos, quanto mais estruturas paralelas levantamos, menos evoluímos a longo prazo, menos nos realizamos.

As pessoas podem criar obras incríveis, maravilhosas em qualquer setor e, mesmo assim, girar em falso, estarem construindo superestruturas paralelas.

Se o que nos leva a realizar coisas é a necessidade de reconhecimento, de aceitação, de ser queridos, o foco está distorcido e poderemos estar agindo a vida toda em falso.

Se eu preciso necessariamente da aprovação de alguém para sentir-me bem, na mesma medida deixo de aceitar-me, de gostar-me, de integrar-me. Eu me volto na direção do outro, o coloco como eixo e começo a girar em falso. E quanto mais insisto nesse padrão e direção, mais me afasto do meu centro, mais energia preciso gastar, mais peso e superestrutura acumular. Posso ser reconhecido como pessoa importante e não evoluir nem ser feliz.

Creio que a grande maioria das pessoas se agita muito, faz mil atividades, mas não foca o essencial. Chega quase lá, mas lhe falta a atitude de total sinceridade consigo, de permitir-se o desvendamento de tudo o que é e carrega consigo. Espera a sua realização dos outros, de ser reconhecido por eles.

Hoje dá-se muita importância às profissões de divulgação, de marketing, que propiciam ser vistos, reconhecidos como as de modelo, ator, esportista, aparecer na televisão...). Muitos procuram desesperadamente ser vistos, ser entrevistados, aparecer em colunas de revistas, jornais, na TV. Em si isso é válido, mas a atitude de dependência pode atrapalhar. Precisam de reconhecimento social como condição fundamental para sentir-se bem. São felizes se e quando aparecem, quando são solicitados, quando estão em evidência.

É bom ser chamado, mas não posso depender disso, nem sentir-me infeliz se me esquecem. Não posso focar minha vida em função do reconhecimento público. Se vier, ótimo, o aceitarei com prazer, mas não estarei ansioso pelo sucesso, pela aprovação, pelo reconhecimento social. Continuarei minha vida focando a aceitação, a mudança possível e a interação tranqüila com as pessoas e atividades que em cada etapa possuam significado e que me ajudem a crescer.